17 de set de 2010

Amor, Medo e Morte

Hoje vou falar sobre um pensamento que me vem à cabeça de vez enquando e gostaria de saber se isso acontece com vocês também. Tem muita gente que deve pensar na morte, mas não toca no assunto nem o aborda no blog por temer ser vista como mórbida ou depressiva, porém não podemos nos esquecer que a morte faz parte da vida, querendo ou não.

Bom, o que acontece é o seguinte: às vezes, quando estou próxima ao meu marido fazendo um cafuné ou vendo tv ou qualquer outra coisa mais carinhosa e sossegada, me sinto tão completa e apaixonada que sinto medo. Medo de um dia acontecer alguma coisa com ele ou comigo e a gente se separar para sempre. Quando se ama profundamente, a idéia da morte separar duas pessoas intensamente ligadas é desesperadora.

Um dia perguntei à ele se também pensava nessas coisas, nesse lance de morte entre a gente, etc... Ele respondeu que já pensou sim, mas não devemos nos preocupar com isso, pois estaremos sofrendo antecipada e gratuitamente. Vocês sabem como são os homens, sempre com poucas palavras...rs... depois não tocou mais no assunto e eu fiquei com aquela vontade de falar mais sobre isso entalada em mim. Mas, não forcei o assunto porque também não acho legal ficar abordando esse tema em casa.

Ao contrário dele, já não sou tão relax assim. Penso nessas coisas sim e admito meu pavor só de imaginar perdê-lo para sempre. Imagina só visitar o homem da sua vida num cemitério? Só a perda de um filho (penso) poderia provocar uma dor tão intensa na alma.
Sei que alguns leitores podem achar que estou sendo mórbida demais, mas porque escrever só coisas legais e alegres? Esse tipo de medo é natural. Acredito ser natural temer a desgraça e mais natural ainda querer compartilhar isso com vocês.

Ser viúvo ou viúva é uma realidade que pode acontecer com qualquer pessoa, a qualquer dia, sem aviso prévio. Isso assusta. A cada dia que vivo, é um dia a mais de vida vivida e, ao mesmo tempo, um dia a menos de vida também.

Eu e ele temos a consciência de que um dia, um dos dois irá primeiro. Pode ser daqui a 50 anos ou mais ou menos, mas acontecerá. Por isso, quando penso nessas bobagens, logo em seguida falo pra mim mesma: ao invés de pensar em besteiras, pensarei na nossa felicidade a dois e o que poderíamos fazer juntos para sempre manter esta chama acesa. Vamos viver intensamente, aproveitar a vida, ter filhos, curtir, nos amar e seja o que Deus quiser.

É claro que esses pensamentos mais mórbidos não são constantes, mas me vêm à cabeça de vez enquando sim. Principalmente quando olho pra ele e penso: "Meu Deus, como amo este homem. Enlouqueceria sem ele"

Hoje, visitando o blog da minha querida amiga blogueira Déia Musso, conheci uma oração belíssima para se rezar quando alguém que amamos sair de casa (repassem esta oração):

Deus vai na frente para dirigir,
Atrás para proteger,
Dos lados para acompanhar
e no coração para livrar de todo mal do corpo e da alma.
Amém!

22 comentários:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Acho que é uma insegurança de quem ama, não é? O medo da perda, de ver partir alguém que nos faz falta. Talvez eu acho que vc foi mais honesta consigo mesmo, creio eu que todo mundo pensa isso mas não fala, nem comenta.

Mas não pense muito nas coisas ruins...para não atrair mesmo rs.

bjs e bom fds pra vc e maridão

Paula Li disse...

Oi Flávinha, sempre comento que meu marido tem dois empregos, mas nunca falei a profissão dele e hoje o seu post me deu esta oportunidade. Infelizmente a morte pode acontecer a qualquer hora, para qualquer um, mas dentro de algumas profissões essa possibilidade é bastante presente.
Meu marido é policial militar, tenho um baita orgulho dele e da sua profissão e desde que estou com ele tento lidar com este fato com naturalidade, ou então enlouqueceria.
Cerca de dois anos atrás o parceiro dele foi morto num assato, ele não estva de serviço e sim voltando para casa.
Este policial era jovem, deixou um filho ainda bebê e me lembro das palavras da esposa dele: quando ligou e o telefone estava desligado ela já sabia que o pior havia acontecido. Imagina o pavor que tenho de telefone desligado ou sem sinal.
Todas as vezes que estou com meu marido eu o encho de carinho, acho que até sou meio chiclete. Mas é uma benção ele chegar em casa todos os dias, infelizmente muitas mulheres já não tem esta mesma graça.
bjs

Gisley Scott disse...

Que post, hein Flávia?

Olha, meu sogro se foi assim, sem mais e nem menos ano passado.Um dia antes nós estávamos no restaurante, no outro dia o homem se foi de um ataque cardíaco fuminante.Os paramédicos disseram que ele já estava morto antes de ter caído no chão, e que ele estava sorrindo.O bom foi que ele não sentiu dor.

Não vou mentir,penso nisso sim e principalmente pq aqui em Jacksonville é muito comum as pessoas morrerem de acidente de carro.Eu tb me preocupo com meu esposo, principalmente quando ele demora chegar em casa na hora do rush..Fico pensando que algo aconteceu com ele no trânsito, mas como vc fechou no post, é isso aí, tem que relaxar e curtir, e se uma dia se for, saber que vc fez seu melhor e amou esse homem até o fim, com tudo o que vc teve e com tudo o que vc é!

Bjos!

Flávia Shiroma disse...

Ale, isso mesmo, nada de ficar pensando nessas coisas. Mas, você sabe como nossa mente é traiçoeira. Quando pensamos em não pensar, é porque já estamos pensando. Bj

Paulinha, que coragem! Eu sempre falo pro meu marido que na época que nos conhecemos ele me dissesse que era policial, eu não teria aceito o pedido de namoro dele. Claro que todos temos uma sina, mas ser esposa de policial não é nada fácil. Acho que a minha personalidade não suportaria essa condição. Sou muito neurótica com esse lance de morte e teria um infarte muito cedo, só de preocupação. Obrigada por comentar aqui minha linda.

Gisley querida. Fiquei muito emocionada com as suas palavras, principalmente quando falou do seu sogro. Que sofrimento. Um beijo querida. Obrigada por sempre estar aqui.

Andréa Silveira disse...

flávia, eu tb penso isso.. e sabe? tb me perguntava se era a única.. as vezes a gente tem vergonha dos nossos pensamentos, né?
eu amo o meu namorado, vamos nos casar, e nao sei como viveria sem ele. Bom, sabe, acho q nao devemos nos constranger por pensar essas coisas, é só não deixar q isso nos impeça de aproveitar o momento, por outro lado, acredito q inclusive valorizamos mais a pessoa que está ao nosso lado. relaxe.. vamos ser positivas com relação a vida, isso nos faz mais feliz hj. bjs e um otimo fds!

Lane de Deus Peixoto disse...

Tbm tenho esse tipo de pensamento vez ou outra, mas acho que é normal, todo mundo que ama tem esse receio da perda. Parabéns pelo post, sinceridade e sensiblidade.Vi seu comentário lá no blog e procurei outro post com a mesma sandália, tem esse aqui que acho quedá pra ver um pouco mais: http://omitodoeternoretorno.blogspot.com/2010/06/verde-rosa.html bjs!

Luly disse...

Mtas vzs pensei nisso,mas nao pensei com medo, pensei q coisas faria se acontecesse isso
e q coisas faria meu marido se acontecesse isso.
E sabe,acabei chorando! pq antes de pensar eu tive um sonho,e nele eu tinha morrido e tentava falar com meu marido e ele nao me ouvia!
eu gritava e ele nao me ouvia, eu tentava tocar nele e nao conseguia! Tipo o filme GOST do outro lado da Vida,sabe...acordei mal,chorei horrores e quando contei p/minha mae e minhas irmas chorei mais ainda...
Mais por ver ele sozinho,sem q eu estivesse para recebe-lo quando chegasse do trabalho, e ele sem comer e sem saber o q fazer totalmente desnorteado. Imagina a cena,chorando por um sonho,mas mexeu mto comigo! Nem lembrava mais disso,ate ler seu post.
Mas tbm nao sofro antecipadamente.
Deus sabe o melhor e vamos vivendo enquanto a tempo! Pq nosso tempo e indivudual... todos os nossos dias estao contados,nao sabamos quando teremos q partir,mas sabemos q um dia vamos nos reencontrar e tudo ao lado de Deus e de quem amamos serà melhor e sem sofrimento.
Besos.

Cae Fernandes disse...

Tanto a morte quanto o medo fazem parte da vida...todos temos que encarar esse fato. Mas como você, tb me pego pensando nessas coisas, já te falei que sou casada há 25 anos, passei mais tempo da minha vida com meu marido do que sem ele...isso me assusta muito e ainda por cima não temos filhos...mas, olha, tento tirar esses pensamentos rapidinho da cabeça, pq não muda em nada nossas vidas...ou talvez nos faça ver que não temos tempo a perder com discussões e besteiras...o importante é viver intensamente e bem!!!
Mil beijos minha querida
Cae

Tacyla disse...

Adorei sua visita lá,passe sempre!posto novidades td dia!
Ótima sexta!
beijo!

Tatiana disse...

Posso dizer que esse é o meu maior medo com certeza!!
O de perder marido que amo tanto ou...Deus me livre...filhos...nao consigo nem escrever que me da um sentimento ruim.
Eu acho que sou o contrario de voce, prefiro nao falar ou pensar no assunto.
Esse sentimento ja me aparece com bastante freqüência nessa cabecinha preocupada que prefiro nao menciona-lo ainda mais..rsrs.
Cada vez que marido tem que dirigir uma estrada perigosa aqui perto de Cancun,esses pensamentos aparecem...odeeeio, rezo e os afasto da minha mente!!
Mas o teu post esta otimo Flavia, com certeza um medo que deve afligir muita gente!!!
Beijocas!!

Blog Sozinha ou Acompanhada disse...

Sabe Flávia, acho normal isso. Acho que quando vivemos intensamente a nossa felicidade dá sim um medo terrível! Medo mesmo de de repente tudo se esvair!
Mas a solução foi a que vc falou. Vai vivendo e continuando!
beijocas,
Mari.

♥ Erika Saab disse...

Flávia, que bom você ter tocado nesse assunto, eu também morro de medo de ficar viúva, tenho verdadeira fobia disso! Eu até tenho uma boa aceitação da morte, apesar de que se encontrassem uma fórmula da vida eterna eu ia querer tomar, sim, mas o que me assusta mais do que não estar aqui, é está sem aqueles que amamos, pais, marido,irmãos, avós, enfim,quem fica é que sofre, né? Beijos

Trocando ideias - Espaço Mulher disse...

Lidar com as perdas não é uma das tarefas mais fáceis. perder alguém que amamos é cruel demais. A dor, a saudade não passam nunca, apenas aprendemos a conviver com elas para seguir adiante. perdi minha mãe há alguns anos e sei bem o que é conviver com esse sentimento. Mas como tem coisas que não podemos mudar, temos que aceitar!
Mas tb não podemos ficar sofrendo por antecipação, como disse seu marido. Temos sim que fzer com que todos os dias sejam especiais e únicos.
Beijos Flavinha!
Ahhhhh já ia esquecendo! Começou a votação da final! Sua foto está lá! Boa sorte!

Eli disse...

Flavia, é difícil nos imaginar perdendo uma pessoa amada, né? Já pensei o contrário tbm, se eu for primeiro, oque será deles...
Mas como não podemos evitar oque tem que acontecer, melhor então é aproveitar o máximo que puder e fazer com que a vida tenha valido a pena!

Bjos

Flávia Shiroma disse...

Sei que o que vou escrever é um absurdo, senão um pecado! Mas, preferiria ir antes Eli, a passar por esta dor, mas ao mesmo tempo, sempre fui da opinião de que amar um homem tem que ter limites.
Polêmico não?

Satie disse...

Esse é um dos meus maiores medos, acho que nem tanto mais por mim, mas pelos meus filhos... Pois, quando era apenas eu, sofreria muito com certeza, mas meus filhos crescerem sem um pai seria mais doloroso.

Eu também tenho medo de morrer antes, pois meus filhos são muito pequenos ainda, e ai eu fico pensando em quem vai cuidar deles, ai choooro rsrs. Por isso quando eu rezo o que eu mais peço é saúde pra mim e pra ele, saúde pra podermos viver bem e criar nossos filhos ate que eles possam andar com as próprias pernas. Eu sei, to parecendo aquela galinhona que carrega os pintinhos embaixo da asa!

HEIDY MULHER QUE AMA disse...

Amiga,normalmente pensamos assim quando estamos felizes,rodeadas de momentos bons.
O que temos que fazer é curtir,amar muitoooooo,
e não deixar esses pensamentos atrapalharem a felicidade.
Bjssssssssssssssss
HEIDY

Fernanda Caldas disse...

Fla, ontem perdi um amigo queridissimo e a esposa dele só falava como seria dificil sua vida sem ele... Dureza. Por isso acredito que o entendimento do processo de espiritualidade seja essencial, até mesmo pra nos confortar. Bjos, Nanda / http://ararafashion.blogspot.com

Flávia Shiroma disse...

Fernanda, verdade!
Você tocou num ponto crucial.
A espiritualidade é o que, talvez, possa "aliviar" ou amenizar a nossa dor.

Obrigada a todos os comentários. Vocês são demais!

Ronaldo disse...

Esse post foi certeiro, adorei ele.

bjss

gigi disse...

Ola Fla,esse assunto e muito dificil mesmo,desde muito pequena eu tinha muito medo de perder minha mae .ela sempre foi tudo pra mim,minha fortaleza meu porto seguro.mas infelizmente em 2005 um cancer de mama a levou.foi tudo muito rapido eu nao tive tempo nem de ir ve-la foi tudo muito dificil.sofri demais !!!!mas e impressionante como Deus e justo .em 2006 eu tive uma visao .tem pessoas que nao acreditam mas e verdade ,minha mae veio me visitar atraves de sonho ,mas parecia tudo muito real quando acordei o perfume dela estava no ar .na hora nao entendi a menssagem ,mas passou uma semana eu descobri que estava gravida .depois de 14 anos .eu nem penssava mais em ter filhos .e fui abencoada com uma linda menina que sempre foi o meu sonho.fiquei muito feliz e o dia que ela nasceu entao foi uma felicidade tao grande inesplicavel!!!!acho que foi o dia mais feliz da minha vida .e a cada dia ela me faz tao feliz!!!entao a vida e assim existe mais misterio entre o ceu e a terra do que a gente imagina.

C. disse...

Sempre ouvi falar que ´morrer faz parte de viver`.

Tenho esperança de que vamos nos reencontrar todos um dia, numa bem melhor, porque a promessa nos foi deixada. Cultivar a espiritualidade nao só nos conforta nessa hora, mas em toda a vida.

É o meu primeiro coment aqui, e já gostei do seu cantinho.