21 de jun de 2010

AMIGA - O que é isso? Não me lembro mais!

Meu corpo está aqui, mas minha mente vaga looonge... Ultimamente, a minha principal companhia são os meus pensamentos, minhas "viagens" e as minhas distrações. Várias vezes durante o dia, me pego olhando fixamente para o nada, pensativa, looonge..., só fantasiando o meu futuro, pensando nas coisas que ainda não fiz e estudando estratégias para trilhar um novo caminho daqui pra frente. Resumindo: estou naquela fase nostálgica e filosófica. Seria tão bom poder compartilhar meus pensamentos com uma amiga, com uma pessoa que também adorasse esses papos-cabeça filosóficos sobre a vida. Ficaria por hoooras falando e trocando idéias. Adoro isso! Poderia ser na casa de uma amiga ou num barzinho, tanto faz. Tadinho, meu maridinho é uma excelente companhia e conversamos muuuuito, mas em determinados momentos queremos uma amiga né gente, sei lá... papo de mulher. Aqui no Japão não tenho isso, não existe esse lance de uma amiga ir na casa da outra, as pessoas daqui não tem tempo para nada, só pensam em filhos, churrasco e dinheiro, apesar de sempre repetirem que estão "duras". Desisti de fazer amigos aqui, as pessoas vão embora do Japão e nos colocam naquela mala que será extraviada. Sem motivo aparente e sem explicação, a "amizade" esfria e nunca mais nos vemos. Por algumas amigas queridas, sinto um carinho enorme, mas não existe convivência, ficamos meses sem nos ver e quando as convido para um programinha, nunca têm tempo. Minhas distrações e pensamentos estão tão intensos que me pego conversando comigo mesma, como um amiguinho imaginário que as crianças criam quando sentem solidão. Poucas pessoas admitem isso, têm receio de serem taxadas como loucas. Porém, porque negar essa fase que vivo hoje? É natural cada pessoa ter a sua fase de enfiar a cabeça debaixo da terra de vez enquando e conviver apenas com seus fiéis pensamentos.
É incrível! Você começa a conversar com alguém sobre alguma coisa sobre você e a pessoa só fala dela, parece que não está te ouvindo. É como se fosse um egoísmo inconsciente. A pessoa não faz por mal. Mas é chato. Algumas (poucas) pessoas têm mais sorte e fazem muitos amigos no Japão, mas são raras de serem encontradas. Prezo muito a qualidade da amizade e não a quantidade de pessoas que vão te ligar ou te mandar mensagens no Orkut. Minhas amigas de alma mesmo que acabaram se espalhando pelo mundo também, assim como eu, não imaginam o quanto penso nelas, o quanto as amo e o quanto desejo reencontrá-las. Priscila, Juliana e Fabíola, meus amores, independente da distância e do tempo que nos separa, sinto vocês por perto o tempo todo. Mas, ao mesmo tempo que sinto vocês por perto, também sinto muito a falta de vocês. Louco né?! Inexplicável. Aqui também tenho amigas que quase não vejo, mas não é a mesma coisa. Vocês são como as irmãs que eu escolhi pra minha vida. Só Deus sabe quantas coisas queria ter compartilhado com vocês com a mesma intensidade daquela época da faculdade e de quando trabalhávamos na Chocolate, lembram-se Jú e Pri?? rsrs....
Sei lá, tô escrevendo muito aqui, mas quanto mais eu escrevo, menos consigo explicar que fazer amizade no Japão não é a mesma coisa que fazer amigos no Brasil. E detalhe: somos brasileiros aqui, falamos a mesma língua, temos as mesmas carências e necessidades, porém, a química não rola. Pelo menos comigo foi assim.

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Minhas primeiras impressões me enganaram

10 comentários:

Lellys disse...

Oi, acabei de ler seu post (lógico né) e sei exatamente como se sente, é como se estar em uma multidão e não conhecer ninguém.
É estranho e assustador.
Nunca sai do Brasil, mas tenho a certeza de que povo igual a esse não existe mesmo.
Tenho uma visão meio bitolada do Japão, onde as pessoas nunca se divertem, estão sempre trabalhando...
Seu marido é japonês??? Como você foi parar ai??
Estamos aqui para dividir os mesmos sentimentos...
Fica com Deus !!!
beijos

Simplesmente Sandra disse...

Flávia

Onde moro existe esse mesmo dilema, ainda estranho até hoje.
Onde nasci as pessoas se conhecem e colocam cadeiras nas calçadas pra jogarem conversa fora e com direito a cafezinho e bolo.
No Rio, onde morei mais de vinte anos , as pessos também são como na minha cidade.
Agora aqui...venho tomando cada uma...
Por isso posso dizer que só existem duas pessoas no condomínio que moro, que, se eu der um grito sei que "chegam junto", o restante é muito disse-me-disse, muita fofoca ( o que odeio).
A gente se sente como peixe fora d´agua...
Bjs

Anônimo disse...

Oi Flávia.
Adoro sempre visitar seu blog.Me identifico muito com seus posts,como este por exemplo.
Eu e meu marido antes de retornarmos à Brasília (nossa cidade de coração),moramos 2 anos em Alpine (Texas),uma cidadezinha meio pacata e mais 2 anos em Nova York.Lá em Alpine apesar de calma é super acolhedora,então fiz muitos amigos.Já em Nova York,o povo parece que tá com o rei na barriga,se acha...O pessoal de lá só anda atrasado,com pressa,não te dá um "bom dia",não gosta de futebol (como? eles são doido rs) e o que mais me fez falta,foi a falta de amigos,principalmente amigas.Minha única companhia era meu marido,que cá entre nós,é nosso refúgio mas não é como uma amiga...só as mulheres se entendem!Eu te entendo perfeitamente.Lá em NY eu não tinha um "amigo imaginável" mas tinha meu fiel Diário que escrevo há mais de 15 anos.Parece bobeira mas é meu cantinho! Só nós nos entendemos rs...enfim,hoje estou em Brasília,com minha família que amo muito,meus amigos de verdade...minhas amigas de infância!
OBS:acho que você não lembra de mim.Eu fiz um comentário no seu post sobre ter filhos.Espero que lembre!
Beijos!

By Juliana A.

Cacá Santana disse...

Oi querida!!

Me senti assim quando terminei a faculdade... eu olhava em volta e não achava ninguém pra falar sobre os assuntos que eu queria, ninguém pra compartilhar certos sonhos, certas esperanças... foi um período difícil, mas superei!
Desejo que seu coraçãozinho seja confortado por uma amizade verdadeira...que ela venha logo!
Uma beijoca, Cacá.

Economia Doméstica e Requinte com Ana Paula disse...

Oi Flavia tudo bom??
Tenho um selinho no meu blog para vc espero que gostes..
Bjsssssssss

Jorge Sader Filho disse...

Olá, bela Flávia. Volto ao seu bem cuidado blog e fico sabendo um pouquinho sobre a vida no Japão.

Carinhos,
Jorge

Miss Yang disse...

e lá vou eu falar a mesma coisa novamente...
eu sei melhor do que ninguém o que é isso. já estou virando uma eremita profissional!
Desculpe do fundo da alma o sumiço, mas também estou meio down, recentemente também me decepcionei com amigos que eu pensava serem verdadeiros, e não de ocasião.
Mas é isso,japão é uma bolsa de valores emocionais, ganha mais quem oferece mais ou compra melhor, se é que tu me entende...

bjs

e o nosso starbucks?

Marô disse...

Nossa!
Gostei do seu post!
Tem tanta "amiga" que deixa a gente na mão,né?
E esse tipo que você citou(aquelas que só falam delas mesmas)é o que mais tem!
Eu me pergunto onde vou parar!Dou ouvido pra todo mundo,mas falo com as paredes...rs
Sorte que tenho 5 irmãos,destes 3 são mulheres!
E anota aí:eu sou daquelas bestas que fazem tudo,dão tudo pra quem menos merece!
Sim,vou comer grama!!rs
Beijocas

Pri Kiguti disse...

Todos nós sentimos isso!
E eu tenho medo de ser uma pessoa chata que sempre fala e não sabe ouvir!
Mas, a amizade se constrói no tempo! Vamos cultivá-la hoje, regar aos pouquinhos, podar quando preciso e ver o que colhemos daqui alguns anos!

Live from Germany disse...

Entendo perfeitamente o que vc está falando e sentindo, Flávia!
Quando moramos no exterior, o nosso único ponto seguro e de referência vira o marido. Eles podem ser extremamente bonzinhos, compreensivos, bom ouvintes mas eles nao sao meninas!! E tem certas coisas que só alguém do sexo feminino entende.
Aí caímos num ambiente completamente estranho e nos vemos procurando desesperadamente por uma companhia do mesmo sexo pra falar apenas sobre feminices. e, como é difícil encontrar a pessoa certa! Alguém com quem vc tenha afinidade, química,carinho e confianca pra partilhar momentos alegres, tristes, divertidos, íntimos...
Nao, nao é fácil. O caminho é longo, cheio de pedregulhos e rochas, dolorido e muitas vezes decepcionante.
Continue na sua busca, é muito importante ter uma amiga pra partilhar. Quando encontramos é uma festa!
Eu por aqui demorei muito pra encontrar pessoas bacanas e demorou um certo tempo pra amizade "amadurecer". Ainda me decepciono muito com as pessoas, pq simplesmente insisto em ter amizades com as quais tenho certas "afinidades"(como a de ter um marido nativo e morar longe de casa) mas, que simplesmente jamais seriam minhas amigas no Brasil.
Pense sempre no seu bem-estar e confie na sua intuicao!
Boa sorte na sua busca!!