13 de jan de 2010

Você não "tem que" nada!

Hoje ouvi uma frase que me fez pensar:

"me desculpe, mas como eu não trabalho fora e, por isso, não contribuo com as despesas de casa, tenho que obedecer meu marido, se ele disser que não quer e que eu não posso, tenho que aceitar. Vou falar com ele, mas se ele não deixar, não poderei ir tá? Me desculpe."

O que me entristece deixou pensativa é perceber que, infelizmente, essa postura que podemos chamar de submissão/acomodação é mais comum do que pensamos. Mesmo com um mundo totalmente aberto às mulheres guerreiras que realizam vááárias atividades ao mesmo tempo, ainda sim encontramos pessoas tímidas, com baixa autoestima e desencorajadas. Digo desencorajadas porque senti uma certa tristeza na voz desta pessoa. As palavras diziam uma coisa, mas o seu tom de voz queria dizer outra, se é que vocês me entendem.
Aceitar que a sua vida permaneça às rédeas do companheiro, sem maiores questionamentos. nos faz imaginar que trata-se de uma pessoa submissa. Porém, podemos pensar também que estamos falando (com carinho e respeito) de uma pessoa que talvez aceite essas condições dentro da sua casa para se eximir de qualquer responsabilidade, ou seja, como tudo é decidido pelo marido, qualquer problema que venha a ocorrer será de responsabilidade dele e não dela. Seria cômodo viver nessa dinâmica conjugal.
Não estou julgando ninguém, até porque em determinados momentos da minha vida também cedi coisas ao ponto de me confundir se estava cedendo temporariamente para resolver uma questão ou se estava sendo submissa. Estou dividindo com vocês uma situação que ocorreu comigo e que me fez pensar em algumas coisas.
É certo que esta pessoa tem seus motivos. Com razão ou não, o importante é a sua felicidade (apesar de não ter sentido isso ao telefone), mas como ser feliz usando a expressão: "eu tenho que"?
Quando realmente acreditamos em algo, dizemos: "eu quero!" ou "eu vou!" ou "eu sei!" e não: "eu tenho que querer" ou "eu tenho que ir" ou "eu tenho que saber". Você não "tem que" nada! Seja livre, você só tem apenas uma vida agora. Se for feliz assim, tudo bem. Mas se não for o caso, repense nos seus valores e lute por um relacionamento de cumplicidade e não de obediência cega.

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