18 de dez de 2009

Faça valer a pena cada Natal longe da sua família

 Natal se aproxima.
As casas começam a ganhar enfeites luminosos, as revistas mostram anúncios natalinos desejando boas festas, as pessoas começam a pensar o que vão dar de presente, alguns planejam se reunir com os amigos, outros pensam em reunir a família. Sempre uma roupinha nova é comprada para essa época do ano e o correio fica abarrotado de cartões postais e cartinhas para o bom velhinho.
Lendo até aqui, não dá para saber se estou no Brasil ou Japão, pois tudo isso tem nos dois lugares, mas a partir de agora vocês vão adivinhar onde estou e, talvez, se identificar com algumas coisas: ao invés de ouvir os sinos do Natal, ouve-se o sino do kiyukei, o frio arrebatador parece que vai petrificar o nosso rosto, principalmente na plataforma da estação de trem, comemorar o Natal de quinta pra sexta? Nem pensar! Se a madrugada do dia 24 cai na quinta, é certo que o Natal por aqui será comemorado lá pelo dia 26 ou 27. Acertei? Talvez seja esta a realidade do pessoal que trabalha a noite, porém, mesmo trabalhando de dia, a comemoração muitas vezes não acontece porque todos acordam cedo no dia seguinte.
Uma das únicas opções para sentir realmente que é Natal é telefonando para a família às 11 horas da manhã daqui do dia 25 (não nos esqueçamos do horário de verão! rs). Já sabe de onde escrevo né?
Bom, embora muitos pensem que não, eu já passei um Natal trabalhando a noite e num frio de lascar. Ficava triste quando falava com a minha família ao telefone. Meio masoquista, eu ligava bem na hora da oração deles antes da meia-noite e, por incrível que pareça, conseguia sentir um pouco do calor natalino só de fechar os olhos e me imaginar com eles, como teletransporte.
Mas mesmo com toda essa tristeza, eu levantei a cabeça, respirei fundo, me "teletransportei" de volta ao Japão e retornei ao trabalho, afinal eu tinha um objetivo naquela época (que é diferente do de hoje). Por isso eu sempre digo que o que faz você ser mais forte ou mais fraco nem sempre é a condição física e sim mental. Se você tem objetivos claros e desejos que são maiores que tudo, a força vem não sei de onde e você não cai, não se dá o luxo de desanimar.

Às vezes levava até uma foto dos bens materiais que queria comprar ao chegar no Brasil e toda vez que minhas pernas, costas ou cabeça doíam, eu olhava para as fotos e me lembrava do dia que embarquei para o Japão prometendo a mim mesma que voltaria melhor (em todos os aspecto). Olhava a foto da minha família e pensava também que eu deveria fazer valer a pena estar longe deles, porque a partir do momento que não valer mais a pena, aí sim é a hora de voltar. Se estamos pagando um preço altíssimo para permanecermos nessa terra longe de todos que amamos, temos que fazer valer cada minuto.
Tudo que fizer, faça bem feito. Faça com tesão, com amor, com paixão, com gana de ser o melhor!! Não se esqueça da humildade. Conheça seus limites, não atropele os outros, ande na linha, imponha respeito, construa sua imagem com base na ética MORAL, procure estudar (isso ninguém vai roubar de você no Brasil! rs), perdoe, seja ecologicamente correto, esforce-se para compreender o comportamento japonês, respeite-os e ame o Japão! Ele é a nossa segunda casa.

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